sexta-feira, 3 de junho de 2016

CINCO HISTORIETAS part III (+18) creepypasta edition

A fada steampunk dos cigarros

       Não sabe-se exatamente quando ou onde começou a surgir essa lenda, alguns historiadores supõem que por volta da revolução industrial; ou da revolução francesa.
      Não se tem muitos dados sobre ela, sabemos apenas que ela surgiu junto com o advento da fumaça e da pólvora....

      A lenda da fada dos cigarros não é um conto que dizemos as crianças na hora de dormir, são mais conversas de bares ou boates, lugares onde a noite é entretenimento; pois bem, diz a lenda que num período muito obscuro da história, um maquinista estava trabalhando em uma grande fábrica têxtil, o que esse maquinista não esperava era que a fumaça que ele inalava diariamente misturado com seus cigarros baratos, iam desenvolver várias doenças crônicas nele, inclusive gerando mutações nos seu sêmen.

     Foi quando o maquinista engravidou sua esposa, porém ela perdeu o bebê durante o parto e acabou morrendo. Muitos contam que o feto era extremamente minúsculo e da cor negra como alcatrão, também dizem que, quando ela pariu saiu uma fumaça de suas entranhas, falavam que o feto apesar de minúsculo era totalmente desenvolvido.
     Muitas das estórias se confundem dependendo de quem conta, até já ouvi dizer que assim que o feto saiu ele flutuava na nuvem de fumaça.

     O maquinista muito revoltado pela perda, ateou fogo na fábrica em que trabalhava, e logo depois levou seu feto para casa num pote... Passaram se os dias, depressivo o maquinista tinha fumado naquela semana do funeral mais cigarros que fumou a sua vida inteira.
Certa noite num surto de loucura o maquinista abriu o pote com seu genitor, e na melancolia da noite ele ia se livrar dessa fatídica lembrança a enterrando para sempre; o que ele não esperava era que antes de se livrar do feto, ele reagisse a fumaça, tomou um susto, olhou pra garrafa de whisky que havia comprado pra uma bebedeira, tentando saber se havia bebido demais da conta causando lhe alucinações, mas a garrafa estava cheia. 

     Então o maquinista baforou sobre o feto, e de novo ele reagiu, o maquinista em prantos de felicidade disse baixinho:
- Pelo menos de toda essa desgraceira ainda consegui tirar algo de bom,o que matou tua mãe te trouxe a vida, e uma vida que nasce da morte, vive pra sempre. e disso nunca vamos esquecer, a partir de agora você será meu filho, meu pequenino, Little Derby.

    Todos os dias ele alimentava com baforadas o seu filho, que foi crescendo; ele ainda podia flutuar sobre a fumaça, dançava nas nuvens de fuligem que saia das fábricas e das locomotivas; seu pai vivia dizendo pra ele ter cuidado e não se machucar ou ser levado com o vento.
    
    Com nove anos, Little Derby conseguia transformar partes do corpo em gás; mais uma seu pai avisou pra ele ter cuidado e não se deixar ser inalado.
Aos quinze anos ele já se tornava um com a fumaça; seu pai orgulhoso vislumbrava esses milagres e apoiava seu filho. 

    Um dia o maquinista morreu, deixando seu filho sozinho no mundo, sem ninguém que soubesse de sua existência e segredos. Little Derby passou muitos meses triste e sem se alimentar, inanimado, um dia ele ouviu a voz de seu pai dizendo como a vida dele era uma eterna lembrança de seus pais. 
    Então pra não deixar a história dos seus pais sumir feito fumaça, ele fez da sua vida uma missão pra lembrar a memória de seus pais, começou a fazer traquinagens, pequenas e grandes; criou o habito de roubar sempre dois cigarros dos passageiros nas locomotivas - um pra ele e outro pro seu amado pai - ele causava incêndios nas fábricas onde as pessoas sofriam com a fumaça e fuligem; molhava os cigarros das crianças que roubavam pra experimentar; entre outras coisas mais.

    Por toda sua vida ele ressoou essa lenda, sempre falando o nome dos seus pais; imortalizando sua família.
Até hoje em dia quando se some algum cigarro das carteiras, ou quando alguém sem cigarro encontra um atras de suas orelhas, se fala no Little Derby, e falam de como uma desgraça que gerou a morte pode trazer a vida. 
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CINCO HISTORIETAS part II

A cidade onde era bonito ser bangela

prologue:

No sul de um país muito longínquo,
havia uma vila não muito conhecida.
Não muito fértil para arar a terra,
mas talvez a vila mais bela,
que já conheci nas minhas expedições.

12/04/1842

      Começo falando caro leitor, que não se trata da beleza que você está acostumado a ver por ai e admirar, não a beleza do corpo, não a beleza de um carro novo, falo da beleza que se vê e sente, quando um recém nascido sorri logo depois de adentrar a vida. 
     Talvez a beleza que eu vi até te assuste, pois nessa vila moravam as pessoas da etnia Mocassibia; e não se  sabe porque, mas, essas pessoas não desenvolvem seus dentes, mesmo na fase adulta. Apesar disso, suas gengivas nascem fortes e saudáveis, pois os alimentos de lá são únicos no mundo, e ricos em vitamina D. 
    Quando eu cheguei, tinha sido a primeira vez que eles tinham visto uma pessoa com dentes, eles não foram agressivos com  minha chegada, ate me deram um apelido, me chamaram de "kaiogho" - depois descobri que significava O homem com boca de javali - antes eles só haviam visto dentes nas feras que rodeavam sua vila, as que eles conseguiam caçar, tiravam as presas e usavam elas como utensílios - Ate tentaram negociar em arrancar os meus, mas troquei esse direito em troca de algumas especiarias.

23/02/1945

     Passado alguns anos, aprendi a língua nativa, a cultura, culinária, politica e tudo mais; de tudo que aprendi, o que mais me encantava eram as cerimônias semanais, eles a chamava de "o grande Uckbart" uma festa folclórica onde eles homenageavam os seus ancestrais pintando e enfeitando suas gengivas das mais variadas formas, cores vibrantes, cores fluorescentes, mascaras com dentes enormes, e ninguém gostava de usar o vermelho. 

31/03/1945

    Hoje o chefe da vila queria me propor algo em uma reunião não-oficial, ele queria que eu me casasse com uma de suas filhas - a mais nova -  até hoje não aprendi a pronunciar seu nome, então chamei ela de Banguelina, de fato a moça mais bonita da vila - fiquei tentado a aceitar - porém levando em consideração a seriedade da proposta perguntei ao chefe se ele gostaria de ter um neto com dentes; eu falei sobre minha terra, amada Inglaterra, onde sempre fomos discriminados pelos nossos dentes feios e tortos, o chefe deu uma risada e me disse:

- A vila está cansada de comer papa de manga, está cansada de precisar matar as feras pra fazer subbarus*
e meu jovem, sempre haverá aqueles que critica o homem, mata o homem, faz o homem sofrer sem conhecer, matam o seu coração, julgam e excluem as pessoas. Nós já fomos um império antes de sermos essa pequena vila mas, por algum motivo, os nossos ancestrais foram amaldiçoados com essa condição... 
- Eles viviam pela vaidade e foram castigados, durante séculos aprendemos a nos respeitar, rir da desgraça, e ver a beleza naquilo que temos e não no que não temos, usamos a nossa deficiência como nossa arma de sedução e sobrevivência,  por que a única pessoa a quem devemos seduzir é a vida, essa sim é ardilosa e perigosa. Meu povo um dia vai poder provar das especiarias que o senhor nos trouxe sem precisar se sentir envergonhado, peço humildemente que o senhor nos dê filhos como você; como o nosso KAIOGHO, o javali que vai salvar o mundo.

    Depois disso eu não tive como negar o direito da duvida a este homem de sabedoria. Me senti inútil por ter vivido até agora com o peso da feiura nas minhas costas sem saber que ela não existia, apenas projeções que a sociedade coloca na nossa cabeça, a sabedoria daquele homem mudou  a maneira como enxergo a beleza das coisas, pessoas são sobretudo pessoas, independente de sua aparência, de sua cultura, etnia, deficiências ou algo mais.

 04/12/1850 closure

Até hoje sinto saudades daquela vila 
foi uma das maiores aventuras da minha longa vida 
antes da minha jornada acabar
espero encontrar os kaioghos 
que deixei por lá pra a terra fertilizar.



*subbarus = utensílios que lembram facas e garfos
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CINCO HISTORIETAS part I

Amores do Banco da CAIXA




       Como é incrível e mágico se apaixonar - mesmo que por cinco segundos numa fila de banco - sempre que eu ia pagar minhas contas no banco eu encontrava o meu crush. e foi assim que me apaixonei por Roberto Orlando de Paula, ele não me disse seu nome, eu que olhei uma vez quando ele assinava um cheque - eu pegava todos envelopes que ele jogava no lixo btw -.

Mas quem é Roberto? porque toda essa paixão por ele? Pois bem amigos... Ele não é desses caras que qualquer um só de ver ia perder o fôlego - apenas comigo isso rola

Roberto tem 35 anos, 1,79, robusto, barbudo, alguns cabelos grisalhos, sempre com uma camisa de botão listrada e calças jeans, suspeito que ele tenha um filho, pois toda quarta-feira na primeira semana de todo mês ao meio dia ele deposita um cheque com a mesma quantia - pensão eu acho rs -. Ele tem uma voz de locutor, fala com a marra de um taxista, e usa aliança... Por isso nunca falei com ele... Mas um dia Roberto me viu olhando pra ele enquanto ele assinava um de seus cheques, ele me encarou por uns 20 segundos, morri de vergonha e sai correndo feito um louco, Corri pro  banheiro do shopping - o banco é anexado ao shopping - ele veio também, eu estava muito nervoso, não conseguia levantar a cabeça, ele usou o mictório, lavou as mãos, esperou o banheiro ficar vazio e me falou olhando no olho:
 - Olha jovem, eu sou divorciado, a anos, tenho uma filhinha que amo muito, e eu adoraria que ela te conhecesse, você é muito bonito e sempre te vejo me olhando, mas percebo sua timidez, então se quiser sair pra se conhecer; esse é meu número, me liga. - E me deu um envelope de cheque com o número dele e o seu nome.

 Agora com sua licença amigas que preciso me arrumar pois Roberto vem jantar na minha casa hoje :)
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